O Sul enfrenta tornados e enchentes. Famílias perdem o teto, cidades contabilizam os estragos e moradores tentam salvar o que a água ainda não levou. Mas tranquilizem-se: Lula tem viagem marcada para a Turquia.
Há algo de peculiar nessa distribuição de tarefas: ao povo, os escombros; ao presidente, o embarque. Enquanto uns procuram abrigo, outros cumprem agenda. Cada qual com suas pequenas aflições.
A viagem é para uma conferência do clima. O contraste merece registro: discutir as consequências das mudanças climáticas no exterior enquanto brasileiros enfrentam suas consequências à porta de casa. Espera-se que, entre um discurso e uma fotografia, sobre tempo para cobrar providências e acompanhar o socorro.
As enchentes de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul já deveriam ter ensinado que solidariedade presidencial precisa ir além das palavras. E as declarações de Lula sobre Santa Catarina tampouco ajudam a convencer quem espera do presidente respeito por todos os brasileiros.
Quem ocupa a Presidência tem obrigação de servir também a quem não votou nele. Socorro não é favor, recurso público não é presente e gratidão eleitoral não pode ser condição para receber atenção.
Resta saber se Lula governará para todos ou continuará consultando o mapa das urnas quando deveria olhar o mapa da tragédia.
Este Trovador não alimenta grandes ilusões. Lula continuará sendo Lula. A novidade, a esta altura, seria alguém ainda confundir promessa de palanque com grandeza de estadista.
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