Por Adolfo Sachsida
Como estará o Brasil em junho de 2028? Escrevi uma análise econômica que mostra, jogada por jogada, o caminho que pode nos levar até lá. Vale a leitura.
Pensando três passos à frente: como será o Brasil em junho de 2028?
Dizem que os grandes mestres do xadrez são capazes de ver um tabuleiro três movimentos a frente. Façamos o mesmo exercício para a economia brasileira.
Passo 1) Entre novembro de 2026 e junho de 2027: o governo Lula ensaia um discurso de ajuste fiscal e reformas modernizantes. O mercado se anima, surge um sopro de esperança para o Brasil. Talvez esse sopro dure até o final do primeiro semestre de 2027. Chega o segundo semestre de 2027, o mercado se apavora. O ajuste fiscal veio apenas no power point, as contas públicas se sustentam por manobras contábeis mais preocupadas em esconder os déficits do que em ajustar as contas. As estatais seguem em trajetória de colapso e apresentam prejuízos e necessidade de socorro do Tesouro Nacional. A relação dívida/pib segue crescendo, o risco-país aumenta, o capital estrangeiro começa a sair do Brasil, o dólar se valoriza, o mercado continua a cobrar taxas cada vez mais elevadas para rolar a dívida pública, a inflação e o custo de vida aliadas a um desemprego crescente jogam parte expressiva da população contra o governo Lula.
Passo 2) Entre o segundo semestre de 2027 e primeiro semestre de 2028: a situação da dívida pública é insustentável, é economicamente impossível a rolagem às taxas exigidas pelo mercado. Surgem então os mecanismos heterodoxos: recompra da dívida pública na esperança de que a injeção de liquidez na economia reduza a taxa de juros reduzindo a pressão sobre o endividamento, aumento da meta de inflação (ou a substituição do IPCA por outro índice) acreditando que isso reduzirá a taxa de juros, controle de capitais para evitar a contínua desvalorização do real.
Passo 3) A partir do segundo semestre de 2028: o Brasil está em recessão. As contas públicas estão em completa desordem, o capital estrangeiro abandonou o país, a inflação e o desemprego afetam duramente a população brasileira. O Congresso Nacional vira as costas para o presidente que agora depende do STF para continuar no poder. Surgem as primeiras conversas sobre a necessidade de um hair-cut (uma espécie de mini-calote) da dívida pública. O fantasma de um impeachment assusta o governo de um lado, o fantasma de um calote na dívida assusta o mercado, a inflação e o desemprego apavoram a população, e os que ainda não estão suficientemente assustados começam a ficar apavorados com um STF que já não tem problemas em manter inquéritos ilegais, atropelar garantias constitucionais e expandir sua área de atuação sobre esferas que deveriam ser de competência exclusiva do Congresso Nacional. No segundo semestre de 2028 muitos que ficaram neutros entre Lula e Flávio Bolsonaro, na esperança de corrigir o Brasil em 2030, descobrirão que 2030 talvez seja uma ponte longe demais.
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